Estrada da Vida

estrada

De Caio Geraldini

Certo dia quando viajava de carro pela estrada principal em rumo à uma casa de praia. Era feriado, combinei com alguns amigos de passarmos o carnaval juntos em Salvador. Dentro do carro estava Alex, no banco de trás estavam três amigos de faculdade.

No caminho passamos por um carro parado no acostamento. O capô estava levantado e um homem com as mãos na cintura tentando pensar em uma solução, o garoto de 5 anos estava chorando, a mãe tentando fazer a criança ficar calma.

Alex olhou aquela situação, virou para mim, ele franziu a testa e mordeu o lábio.

– O que foi mano? — Perguntei trocando a marcha.

– Aquela família parada no acostamento me fez refletir sobre as escolhas que fazemos.

– Como assim? — Perguntei curioso mas não tirei os olhos da estrada.

– A vida é como se fosse uma rodovia de mão única. Você pode parar no acostamento e apenas observar os outros passarem, restando acenar para eles e desejar boa sorte, ou pode decidir seguir em frente e ultrapassar eles. Porém é melhor tentar passar na frente e tentar chegar onde quer, do que desistir, parar no acostamento e apenas observar de longe a jornada do outro.

– Ei aumenta o som ae. É carnaval poxa — Outro amigo com longos cabelos loiros esticou o braço ligando o som e colocando no volume alto. Olhei para Alex, ele estava de volta olhando para fora com um sorriso no rosto aproveitando o som da música. Mudei a marcha mais uma vez e seguimos viagem.

Anúncios

Em Uma Noite de Domingo

De Alex Scott

 

Em uma noite chuvosa sentado no sofá com uma garrafa de uísque já pela metade na mão, na TV passava um programa de auditório sensacionalista. Uma leve chuva caia do lado de fora, suas gotas batiam na janela de vidro e escorria até formar uma poça na base de metal. O apresentador fazia pergunta para os convidados. Era um dia chato. Meus olhos quase fechando de tédio. O celular estava do lado em cima de uma mesinha, o relógio do celular marcava 20:00 de um domingo. O gosto amargo da bebida e do desgosto do fim de semana terminando estava enlouquecedor.

– Quem descobriu a América? – Perguntava o apresentador.

– Cristóvão Colombo – Respondeu uma senhora de 75 anos após apertar um botão vermelho emitindo uma sirene.

– A resposta está e.…Exata. Você acaba de ganhar R$ 500, 00 reais. Desiste ou continua?

Bebi mais um gole do uísque e fiz uma careta. Aprendi a beber com meus amigos, mas nunca acostumei. O celular em cima da mesa começa a vibrar e piscar. Atendo o telefone. Era uma voz feminina.

– Ei bonitão, não me reconhece? – A voz era sedutora, me fez arrepiar. Forcei a memória para tentar lembrar.

– Dá uma dica, é domingo e estou bêbado. – Respondi

– Poxa Alex, sou a Ellen da livraria. Aquela sentada lendo um livro. Você chegou falando que meu nariz mexe quando estou lendo.

– Ah sim, a garota da tatuagem na virilha.

– Essa mesma. Ta a fim de ver?

– É tentador, mas estou vendo um programa aqui, a senhorinha vai levar um milhão para casa.

– Sabe… Eu estou tão só. Estou com tédio mortal. – Ela disse fazendo uma voz manhosa

A mulher roda a roleta, olho para minha garrafa de uísque penso, e decido. Seria uma ótima forma de começar a semana.

– Ok Ellen, irei aí tirar seu tédio, mas já aviso. É bom que tenha bebida.

– Pode vir tigrão estou usando uma calcinha especial.

Ela morava em um apartamento de esquina. O porteiro um homem baixinho acima do peso com um bigode estilo português olhou para mim de cima a baixo. Eu usava jeans e uma camiseta branca com uma jaqueta de couro.

– O que deseja – Porteiro pegou o interfone

– É o Alex – Falei dedilhando no balcão.

-A senhorita está te esperando lá em cima no quinto andar.

– Obrigado.

Bati na porta. Ellen era uma garota de 28 anos, cabelos castanhos levemente ondulados, ela me recebeu só de camiseta. A TV estava ligada no mesmo programa.

– Oi Alex. Eu tava tão entediada. – Ela disse dando uma piscada e jogando o cabelo para trás.

Entrei já agarrando ela, mordi seu pescoço e encostei ela na parede, ela passou as mãos em meu cabelo e mordeu de leve minha orelha. Fomos para a cama e lá fizemos amor selvagem, amor gostoso.

Depois de algumas horas. Cheguei em casa, sentei no sofá e a velinha por pouco não conseguiu 1 milhão de reais, ela foi eliminada perdendo tudo.

-É.. A sorte não sorri para todo mundo. – Falei mudando de canal.

Passeio de Canoa

De Oliver Scott

Em uma praça da cidade grande, perto de um condomínio de prédios. Alex estava ajoelhado em frente à fonte central com um barquinho de papel nas mãos. As crianças em volta brincavam de pique pega enquanto os pais estavam sentados conversando. O sol não estava muito quente, era no começo da manhã, Alex colocou o barquinho na água com todo o cuidado, ele torcia para a água não furar o papel e estragar tudo. Ele mesmo tinha feito o barquinho. Quando ele colocou o papel na água e não aconteceu nada. Alex abriu um sorriso.

– Eba, funcionou.

O barquinho de papel flutuava na água. Os olhos de Alex ficavam observando enquanto ele subia e descia com o balanço da onda que a fonte fazia. Ele lembrou-se da primeira vez quando ele e seu avô saíram para dar um passeio de canoa. Ele era muito jovem, seu avô tinha uma canoa de madeira. Acordaram cedo, ainda estava escuro. Sua avó já estava acordada preparando o café dos homens. Ela tinha feito café e biscoito de queijo. Alex sentou na cadeira e ela colocou um copo de leite com achocolatado e açúcar na sua frente, ele bebeu tudo de uma vez. O avô tinha aquele sorriso doce e alegre, ele enquanto comia um biscoito de queijo de vez enquanto fazia careta e Alex ria uma risada gostosa.

– Para com isso Luís, ele vai acabar se engasgando.

– Vou engasgar não vovó, já sou um homem crescido – Alex sorriu com um bigode de leite no rosto.

– É, já é tão homenzinho que até bigode tem. – Disse a avó enquanto limpava a boca do neto com um pano.

Alex e seu avô desceram a pé até um lago perto do sítio. O avô levava uma sacola com alguns sanduíches, protetor solar e repelente. Alex ia atrás com a sacola com o restante das coisas. O barco estava na borda do lago preso em uma corda. Seu avô puxou a corda fazendo o barco se aproximar, ele então colocou as coisas dentro do barco, levantou o Alex e colocou lá dentro. Alex rapidamente vestiu o colete salva vidas e foi ajudar o avô a guardar as sacolas. O avô retirou a corda e então deu um impulso para o barco sair do barranco e subiu também. Ele pegou os remos.

O lago estava calmo, enquanto o avô ia remando, Alex estava apoiado olhando para baixo vendo os peixes passarem, ele olhou para frente e viu uma garça branca fazendo um rasante e capturando um peixe. Alex sentiu uma alegria e um frio na barriga, nunca tinha visto algo assim acontecer ao vivo.

– Vovô, vovô o senhor viu aquilo? – Alex apontava para o lugar onde a garça tinha capturado o peixe.

– Aquilo o que querido?

– Aquela garça acabou de pegar um peixe.

– Ah sim, ela se alimenta de peixes.

– Mas a garça não molha não?

– A garça é esperta, ela sabe que ela pode se molhar, então apenas pega os peixes da superfície. Ela pega só aqueles peixes que não são espertos. Seja sempre esperto.

– Ah entendi. Nossa, vovô, o senhor sabe muito.

Alex acompanhou a garça levantando voo e entrando no meio da floresta. Ele havia aprendido vendo um documentário na escola que as garças para se proteger dos animais maiores, sempre fazem ninhos nas árvores mais altas.

O avô parou de remar, tirou da sacola dois sanduíches. Eles já estavam com fome, todo aquele exercício físico pedia um descanso. Alex deu uma mordida no sanduíche de pão de forma com presunto e queijo.

– Que delícia. Vovó sabe mesmo cozinhar. – Alex falou de boca cheia.

– Sim, por isso me casei com ela.

– É verdade isso?

– Sim. Quando nos conhecemos ela fez um jantar na casa dela. Fiquei apaixonado assim que coloquei a comida na boca.

Alex continuou comendo enquanto olhava para a paisagem, os peixes ficavam em volta do barco esperando cair alguma migalha. Os pássaros cantavam nas árvores. Ele gostava muito do avô, era um homem sábio e esperto. Ele era o peixe mais esperto e a garça não iria conseguir pega-lo.

– Está na hora de voltar, já está perto do almoço, a vovó vai ficar preocupada.

– Já pensou se ela fizer algo gostoso? – Perguntou Alex.

– Com certeza, ela me contou que vai fazer lasanha.

– Adoro a lasanha da vovó

– Eu também meu netinho.

Alex limpou a boca com um guardanapo, bebeu um pouco de água, o avô voltou a remar.

– A volta é sempre mais rápida que a ida – comentou o avô entre uma remada e outra. – Um ditado diz: Na volta todo santo ajuda.

Alex sentia o vento bater em seu cabelo loiro, era uma sensação ótima, ele se sentia bem. O barco chegou na superfície e os dois desceram. Foram encontrar a vovó. Ela já estava na cozinha preparando o almoço.

O barquinho de papel navegava pela fonte, Alex tinha um sorriso no rosto. O barquinho balançava por causa do vento, o barquinho chegou perto do jato de água, se encheu de água e afundou. Ele se levantou e voltou para perto da sua mãe. Sua mãe conversava com uma senhora.

 

Olá, tudo bem? gostou do conto? por favor vote, compartilhe e comente me ajudará muito.

Siga no twitter: @CaioFerreiraRsd

 

 

 

Toalha na Cama


Alex Scott

Viver um relacionamento na maioria das vezes é sinônimo de ter que abrir mão da sua privacidade, intimidade e paciência, é até aceitável que haja isso, afinal moramos em sociedade. Certa noite um casal já estava se preparando para dormir. O homem estava na sala lendo um livro quando sua mulher aparece bufando na sala.

– Quantas vezes tenho que repetir que não é para deixar a toalha molhada em cima da cama? – Disse gritando e gesticulando.

– Tenho uma explicação completamente plausível para isso. – O homem fecha o livro e coloca na mesinha ao lado, respira fundo algumas vezes.

– Qual a desculpa dessa vez? – Disse a mulher de braços cruzados batendo o pé no chão.

– O jogo já tinha começado e você sabe que eu sou flamenguista roxo. O Flamengo detonou com o Vasco.

– Das desculpas esdrúxulas essa foi a campeã. Mamãe tinha razão. Você nunca prestou. Você sempre foi avoado, você não presta atenção em nada.

– Claro que presto meu amor. – O homem fica em pé e tenta fazer um carinho na esposa, mas ela dá um passo para trás.

– A é? Que dia é nosso aniversário de casamento?

– Ah essa é fácil. Dia 16 de agosto.

– Não presta atenção em nada. 14 de abril seu jumento. – A esposa eleva o tom de voz.

– Ei.. Não precisa ofender. Errei por pouco. Também não é assim.

– Ah claro errou por quatro meses. Falando nisso estamos em outubro e você sequer se lembrou. Sabe o que a Lurdinha disse? Ela disse que nosso casamento está indo por água abaixo.

– Você foi buscar conselhos com aquela maluca que acredita em horóscopo? Poxa amor você está exagerando, eu ando preocupado com o trabalho e com essa crise que está acabando com o país. Dá um tempo.

– Tempo? Ah o rei quer ter tempo? Ok majestade você tem todo o tempo do mundo – a mulher disse em tom de deboche –  Mamãe sempre me alertou sobre você.

– Citar sogra não vale, sogra já nasce destinada a ser um terror na vida do genro. Todo mundo sabe que sogra é o demônio encarnado.

– Ta chamando minha mãe de demônio? Demônio é a sua vó. – Ela fica mais furiosa.

– Não é isso. Desculpa. Eu errei, sei que não devia ter colocado a toalha molhada em cima da cama. Me desculpa? – Diz o homem com preguiça de discutir.

– Não venha se fazer de santinho agora. Faz besteira e apenas um pedido de desculpas resolve? Quero ação, ah mas se eu te pegar colocando toalha molhada na cama outra vez. Vou fazer picadinho de você.

– Meu amor, mas eu já pedi desculpas, eu juro que não vou fazer mais isso.

– Não aprende mesmo. Você pensa que sou besta? Tenho cara de otária?

– Não meu amor – Diz o marido colocando a mão no rosto da esposa e esfregando a bochecha com os dedos. – Eu nunca pensaria isso de você. Me perdoa? vamos esquecer isso e ir dormir, já está tarde.

– Como eu posso esquecer? A cama agora está molhada e justamente na parte onde eu deito, se eu pegar um resfriado eu te mato.

– Ok vamos fazer assim. Vamos trocar de lado, eu durmo no lado molhado e você dorme no lado seco. Pode ser?

– Pode sim. Mas já aviso. Na próxima vez eu não te perdoo mais.

O casal deita na cama e o homem apaga a luz.

Olá, tudo bem? gostou do conto? por favor vote, compartilhe e comente me ajudará muito.

Fim de Festa

De Alex Scott

Em um bar da cidade em plena tarde de domingo. Um homem está sentado em uma cadeira de metal e na sua frente existe um copinho de pinga popularmente chamado de shot, ele já está na quarta dose. Na TV está passando um programa de auditório para classes C e D. O apresentador estava promovendo um concurso para descobrir a nova loira do Tchan. Era um dia terrível.

– Mais uma dose – Diz o homem.

– Segundona já tá vindo ae, falta menos de 11 horas. – comenta o barman enquanto enxugava um copo de vidro com um pano branco que estava em seu ombro.

– Não me lembre. Só de imaginar que terei que acordar cedo já me faz sofrer.

No meio da mistura do barulho da TV com um solo de saxofone de John Coltrane ele chega a seguinte metáfora.

O fim de semana é como se fosse uma grande festa. A sexta feira é quando você chega na festa, você ainda está enferrujado, está tentando acostumar com as luzes e com toda a alegria que o ambiente proporciona. Um garçom te oferece uma bebida com álcool, você bebe e já se sente mais relaxados. Os convidados começam a chegar aos poucos, a música começa a tocar.

O sábado é quando a festa está em seu pico máximo. Você já está sob o efeito da euforia do álcool e da música, a música está na sua parte mais animada, você já está de olho nas garotas. Você se aproxima, se apresenta, a garota começa a interagir com você, vocês trocam números de telefone. Você vai até o bar e pede mais uma bebida.

Ambos estão felizes, trocam beijos e caricias. – Meu bem, gostei muito de falar com você mas tenho que ir ajudar minha amiga a retocar a maquiagem – diz a garota te dando um selinho. Você volta para a pista de dança. Você está se divertindo. Você não quer que a festa acabe, você se sente livre e senhor do seu próprio destino.

O domingo é o fim de festa. Quando a maioria dos convidados já se foram. A garota do começo da festa está saindo com um homem que é o dobro do seu tamanho e muito mais bonito.

Os garçons já estão retirando as mesas. O DJ já colocou uma música mais lenta para já ir dispersando o restante dos convidados. Sobrou apenas os convidados desmaiados ou passando vergonha após abusarem da bebida. Uma faxineira começa a varrer o chão. No banheiro você pode escutar uma pessoa passando mal. A música para bruscamente, o DJ está com pressa, ele arranjou uma loira bêbada louca para ter uma noite de aventuras.

A faxineira coloca as cadeiras em cima da mesa e começa a lavar o chão. A luz é desligada e você fica no escuro sozinho pensando: “Bem que esse fim de semana podia não acabar”.

Olá, tudo bem? gostou do conto? por favor vote, compartilhe e comente me ajudará muito.

Noite Dos Sonhos

De Oliver Scott

Numa noite qualquer, em um bar qualquer um casal qualquer se encontra. O relógio velho faltando o ponteiro dos segundos marcava 19:45. No fundo tocava uma música de blues. Uma garota de 30 anos, bem vestida com uma saia preta e camisa branca, seu cabelo longo está solto. Está sentada em um bar e na sua frente um copo de Martíni, ela brincava com o palito entre os dedos que outrora estava com uma azeitona. O celular dela está em cima da mesa. Ele está no seu momento, não quer ninguém atrapalhando.  – Garçom, por favor outro Martíni com o dobro de Vodca. – Ela então bebeu um pouco e ficou recapitulando o que aconteceu no dia. Ela teve reuniões com investidores estrangeiros o dia todo.

Do lado de fora começa a cair uma chuva fina popularmente chamada de chuvisco, os carros acionam o para-brisa, e começa uma sinfonia de buzinas. A garota se ajeita na cadeira e começa a batucar na mesa ao som da música de fundo.

Entra um homem de terno risca giz no bar, cabelo com gel penteado para trás, barba fechada e bem alinhada. O homem então chega no balcão – Ei meu chapa, me vê uma gelada aí. – Ele então senta no banquinho e o barman entrega uma garrafa de cerveja.

O homem bebe direto na garrafa molhando a garganta seca. Ele termina de virar a garrafa e olha para a garota sentada do seu lado com a cabeça baixa franzindo a testa mexendo no celular.

– Dia difícil? – perguntou o homem.

– Ah sim – Ela se assusta e levanta o rosto. – hoje foi um dia daqueles. Desculpa mexer no celular enquanto falo com você.

– Não se preocupe, também não paro um minuto, então deixei meu celular dentro do carro, a proposito me chamo Nero – ele estende a mão.

– Prazer, Mônica – diz ela pegando na mão dele.

– Então, você frequenta muito esse bar? – Ele bebe mais um gole de sua cerveja.

– Ah sim. Venho aqui quase todo dia antes de ir para casa. É minha fonte de rejuvenescimento. – Mônica joga para o lado uma mecha de cabelo que estava caindo sobre a sua testa.

– Legal, estava saindo do tribunal, no caminho o transito começou a engarrafar então resolvi vir aqui. Que coincidência não é mesmo?

– Ah sim, muita.

– Deixa eu adivinhar, você trabalha em banco, acertei?

–  Quase. Sou CEO de uma empresa de investimentos mobiliários.

– Uau. – Nero arregala os olhos – Meus cumprimentos.

A chuva começou a engrossar, as gotas batiam em um toldo branco do lado de fora e escorria caindo em uma cadeira, do outro lado da rua um homem corria protegendo a cabeça até se proteger embaixo de uma marquise.

– Fazia tempo que não chovia. Vejo que vou demorar o dobro do tempo para chegar em casa – Comentou Nero olhando para fora observando o transito. –  Ainda bem que encontrei vaga aqui perto.

– Me conte. O que faz da vida? – Mônica chegou mais perto.

– Bem, sou advogado tributarista. Presto consultoria para empresas que querem fugir de tributos altos.

– Entendo… O que você sugere para minha empresa ter mais lucro e pagar menos tributo?

– Desculpe essa informação custa R$ 300,00 reais. Mas se você for realmente curiosa podemos compensar com mais uma rodada.

– Ah desculpe doutor. Não sabia que estávamos em seu escritório. – Mônica falou em tom de deboche.

– Gostei de você. É esperta.

– Obrigada. Também gostei de você. É o primeiro homem que não chega com cantadas de pedreiro ou com papo furado de perguntar as horas ou falar sobre o tempo.

– Puxa. Quantos caras são desse jeito?

– Só hoje foram uns 10. Mas o movimento foi fraco.

– Hummm. Concorrentes. Parece um jogo divertido.

– Aproveita que você está em vantagem e me chama para sair. – Mônica pisca.

– Ta achando que sou fácil assim? Na na ni na não. Para sair comigo só depois de um vinho.

– Hahaha. Viu como é ruim receber cantadas, acham que é só chegar falar um papo mole e pronto, você está pronta para ir para cama com ele.

– Estou impressionado. Está corretíssima.

Nero olhou no relógio – Ih já é quase nove horas, eu não sou dessa cidade, você mora aonde? Para eu ver se é caminho do hotel. Quer carona para casa?

– Que isso. Não precisa não, a chuva já diminuiu, eu vou assim mesmo. Moro aqui perto.

– Não. Já está tarde e é perigoso. Venha, eu te levo. Prometo não atropelar ninguém.

– Não sei se devo. – Pensou Mônica. Afinal, ela estava aceitando carona de um completo estranho. Já tinha visto reportagens sobre mulheres que aceitavam caronas e eram estupradas e mortas. Mas afinal, esse rapaz não parece ser ameaçador, está bem vestido, e é preferível com ele do que ir no escuro.

– OK. Aceito sua carona.

Os dois entraram no carro. O carro era uma Mercedes último lançamento. Isso confortou Mônica, um estuprador que se preze não utiliza um carro tão caro assim. Foram conversando sobre a vida, rotina e causos engraçados. Mônica talvez por causa do álcool se sentiu mais relaxada, soltou os cabelos e encostou no ombro do rapaz.

– Ei. Não vai dormir agora, estamos quase chegando.

– Ah que pena. Sabe você é a melhor companhia que eu já tive nesse dia cheio, o resto dos rapazes só sabiam falar de negócios, investimentos, bolsa de valores e crise econômica.

– Se quiser começo a falar dos meus problemas jurídicos.

– Isso me fale

– Melhor não. Não quero que você morra de tédio.

Mônica encosta no ombro de Nero e cochila, acordando quando o carro freava. – Acho que bebi demais.

– Você está bem?

– Sim sim, estou ótima.

– Acho melhor você passar a noite na minha casa. Depois você desmaia e eu sou culpado.

– Eu não quero incomodar. – Mônica havia gostado do rapaz, ele era simpático, engraçado, inteligente.

– Não vai incomodar, estou no hotel.

O carro para no hotel, o manobrista abre a porta para Mônica, ela desce e Nero acompanha até o quarto passando pelo saguão. O hotel era cinco estrelas, o saguão era enorme. O recepcionista do hotel. Um francês de nariz arrebitado com um crachá no peito escrito Pierre LeMont.

– Bonjur, Monsieur Nero. – Falou Pierre com um sotaque francês carregado.

– Bonjur Pierre. Chave para o quarto 646 por favor.

– OK. Vejo que está acompanhado com uma madame.

– Bonjur Comment allez-vous (como você está)? – Mônica pergunta ao gerente.

– Oh bien.

– Vamos para o quarto.  – Nero segura nas mãos de Mônica e ela aperta.

Eles entram no elevador, nisso Mônica esta encostada nos ombros do rapaz, Nero sente o perfume doce e sente algo dentro de si. Um impulso forte, ele a abraça e ela abraça mais forte, os dois se beijam. Foi um beijo demorado. O elevador chega no andar, entram quarto. O quarto era grande, era uma suíte presidencial, dúplex com um closet enorme, chão de madeira e uma cama de casal com lençol branco. Nero vai ao banheiro. Mônica observa o ambiente, não parece que Nero estava apenas passando uma noite no hotel, havia coisas pessoais nele. Como DVDs, Discos e livros todos em várias estantes.

– Vejo que convidei uma bisbilhoteira – Nero aparece com tom de deboche ao ver ela mexendo em seus livros.

– Ah não, estava apenas olhando. Muito bonito o seu quarto de hotel.

– Você não viu nada. Já escutou jazz?

– Ah sim. Meu pai quando era solteiro tocava em uma banda de jazz.

– Então escuta esse som.  – Ele coloca um disco do John Coltrane.

– Meu deus, adoro essa música. Meu pai tocava quando eu era pequena para me fazer dormir.

Nero então pega nas mãos de Mônica e começam a dançar ao som da música, então os dois se beijam mais uma vez. Ao ritmo da música caminham para a cama. Mônica e Nero estavam apaixonados. Juraram amor eterno. Passaram a noite os dois juntos na cama enquanto John Coltrane fazia o tema da noite. Do lado de fora a chuva cai fraca como uma cortina fechando a noite.

Olá, tudo bem? gostou do conto? por favor vote, compartilhe e comente me ajudará muito.

Memórias

De Oliver Scott

Já passava das 22 horas, Miguel foi até a cozinha. Colocou a chaleira no fogo com água. Abriu a despensa e escolheu um chá leve que tivesse algum efeito de calmante. Encontrou o chá de erva-doce. Preparou uma xícara colocando um saquinho dentro. Pegou o pão de forma e colocou na torradeira. Miguel gostava de dormir com estômago cheio.

Abriu a geladeira e pegou a manteiga. A chaleira fez um assovio leve, ele desligou o fogão pegou a chaleira e despejou a água na xícara. Esperou um pouco, tirou o sachê e acrescentou um pouco de mel, as torradas saltaram e ele colocou no prato, passou uma camada de manteiga em cada torrada e foi para a varanda. O céu estava estrelado, e um grilo tocava uma melodia no fundo.

Ele sentou na cadeira e comeu calmamente as torradas, bebeu o chá e ficou observando o céu estrelado no horizonte. Fazia tempo que ele não pensava nela. Que coisa curiosa a memória. Como conseguimos nos lembrar de coisas que nos aconteceram há muito tempo.

Se conheceram em uma espécie de bistrô no leste Europeu. Ele estava com alguns amigos em viagem, depois de muitas conversas, seu olhar repousou sobre uma garota graciosa, era uma garota loira, nariz arrebitado e ar jovial. Ela estava com amigas, se divertiam muito, ela se movimentava como o cisne branco da peça de Tchaikovsky.

Miguel tomou mais um gole de chá.

Miguel tomou coragem e foi falar com ela, descobriu que seu nome era Isolda. Ela era uma nativa do lugar, apesar de conhecer muitas culturas e povos, nunca havia saído do continente europeu. Resolveram dar uma volta pela cidade. Caminharam até a beira do lago que dava de frente a um enorme palácio do parlamento que por causa das luzes tinha um aspecto dourado.

– Uau, que belo. – Exclamou Miguel. Estava frio, Isolda encostou nos ombros de Miguel, os dois haviam sentido a mesma atração. Os dois amaram a noite toda sob o testemunho das estrelas e da lua.

Uma noite qualquer após jantarem, foram para a praça principal para ver o luar

– Sabe a lenda do meu nome? Era em homenagem a um conto celta de um guerreiro que se apaixona por uma mulher, porém o destino os mantem separados. – Isolda diz.

– Eu nunca irei deixar de pensar em você meu amor. Estará sempre eternizada em minha memória.

– Prometa que nunca me esquecerá?

– Prometo e Deus é testemunha.

Isolda então entregou um pingente a Miguel com um símbolo de infinito gravado nele. Ela contou que simbolizava a memória. No outro dia Miguel seguiu viagem deixando a sua garota para trás. Ele sempre segurava o pingente e se lembrava dos melhores momentos juntos.

Ele sabia que não iria encontrar ela novamente. Talvez ela esteja casada, se passaram muito tempo desde que se conheceram. Será que teve filhos? – Será que o marido a ama igual eu amei? – Pensava ele sempre.

Já estava ficando tarde. Passava da meia-noite. Ele então segurou o pingente entre as mãos e mentalizou os maravilhosos momentos que passaram juntos. Levantou da cadeira, entrou na casa e foi dormir. Apesar de nunca mais se encontrarem ou vivenciar aquela experiência, ele sabia que aquele momento seria eternizado na sua memória.