Não Existe Final Feliz

Texto de Oliver Scott.

 

Essa semana fomos vítimas de um afronte à nossa república das bananas. Quando eu era pequeno cresci lendo histórias e vendo filmes de Super-heróis, Cowboys e justiceiros espaciais. No final de cada aventura o bandido tinha seus planos frustrados, acabava preso ou morto. Na ficção o autor nunca nos decepcionava, sempre fazia o bem prevalecer, e cada um responder pelos seus atos. Mas no nosso mundo real, a coisa não funciona bem assim.

Nós protestamos nesse Domingo contra um sistema político falho, ganancioso e egocêntrico, contra corruptos claramente culpados, governantes com listas de crimes e ilegalidades, alguns já com julgamento marcado.

Um dia após esse movimento democrático a população acorda com uma notícia desastrosa. As histórias contadas quando éramos pequenos, história com um final no qual o bem vence, os malvados sofrerem as punições cabíveis, não passava de apenas resquício de nossa lembrança lúdica. Um dos políticos criticados domingo foi aclamado como herói. Ele deixou de ser um cidadão comum, alguém com mesmos direitos e deveres do restante da população, e se tornou uma espécie de “super-ministro”.

Isto meus amigos é um tapa na cara de todo cidadão comum. É a decadência da ética e moral. É o símbolo máximo da frase “Bonzinho só se fode”. Você cidadão de bem, que sempre paga suas contas em dia, sempre faz de tudo para não infringir o direito alheio, você que luta para ser uma pessoa justa tenho uma triste notícia, no final aos olhos da nossa realidade deturpada não tem valor algum, você só serve é apenas para pagar o pato. Pois o real bandido ou o real vilão no final é ovacionado, aclamado como herói, mito e lenda. A quem queremos enganar, o povo tem os governantes que merecem.

 

 

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Perdendo a Hora

Acordei de um sono pesado. Abri os olhos, um susto percorreu minha espinha. Ainda vagava entre sonho e realidade. Imóvel na cama com os olhos abertos, eles se moveram de um lado para o outro, eu tinha uma sensação de ter feito algo de errado, algo tinha passado despercebido. Olhei rápido no relógio, ele marcava 8:30. Estremeci, meu horário de acordar era às 6 h:30 min. Já era segunda. Eu estava atrasado.

– Você está atrasado, como pôde perder o horário? – Disse uma voz no meu subconsciente.

– Mas eu coloquei o relógio para despertar. Ontem não dormi tão tarde. – Discuti mentalmente.

– Mentira, se tivesse colocado o despertador no horário correto, tinha acordado. Meia-noite e meia não é um horário ideal. Você se Lembra dos avisos da sua mãe dizendo para dormir mais cedo?

Deixei esse diálogo sem futuro para trás e me levantei. O quarto estava escuro. Abri a janela e a claridade do sol iluminou todo o quarto. Sentei na cama, um gosto amargo na boca. Pela falta de comer e também pela vergonha de estar atrasado para o trabalho.

Entrei no banheiro o mais rápido possível e quase bati o dedo na quina da porta. Liguei o chuveiro, enquanto a água descia eu pensava – Como fui ser tão idiota de não acordar na hora certa? Agora chegarei atrasado, minha reputação vai para o lixo. Quantos clientes estão neste momento reclamando da falta de atendimento? Quantos fornecedores estão querendo falar comigo?

Meu chefe, meu Deus. Finalmente consegui o respeito dele. Ele até me chamou para ir no churrasco na casa dele. Tudo por água baixo porque acordei tarde. Mas enfim, isso é injusto. Uma única falta assim não é motivo de tanto alarde.

E se eu disser, fiquei doente? Uma gripe quem sabe? Dengue, afinal o tempo esfriou, há um surto de mosquitos na cidade…

Mas terei que mostrar atestado. Droga, não tenho nenhum amigo ou parente médico. Se eu for no pronto-socorro serei desmascarado. O jeito é encarar as consequências.

Saí do banho e voltei para o quarto, bati o dedinho na quina do criado mudo, gritei de dor e fiquei na cama gemendo. – Maldito móvel estúpido. – Vesti a roupa o mais rápido possível, fui para a cozinha. Estava vazia, presumi que todos já haviam saídos. Menos mal, assim ninguém iria ver minha vergonha. Tomei café com leite, passei manteiga no pão e comi depressa. Voltei correndo para o banheiro, escovei os dentes, passei perfume. Arrumei as coisas, antes de pegar a chave do carro dei uma olhada novamente no celular, quase bati novamente o dedo na quina do criado mudo quando percebi a verdade, ainda era domingo.

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Twitter: @CaioMorningstar

 

Estrada da Vida

estrada

De Caio Geraldini

Certo dia quando viajava de carro pela estrada principal em rumo à uma casa de praia. Era feriado, combinei com alguns amigos de passarmos o carnaval juntos em Salvador. Dentro do carro estava Alex, no banco de trás estavam três amigos de faculdade.

No caminho passamos por um carro parado no acostamento. O capô estava levantado e um homem com as mãos na cintura tentando pensar em uma solução, o garoto de 5 anos estava chorando, a mãe tentando fazer a criança ficar calma.

Alex olhou aquela situação, virou para mim, ele franziu a testa e mordeu o lábio.

– O que foi mano? — Perguntei trocando a marcha.

– Aquela família parada no acostamento me fez refletir sobre as escolhas que fazemos.

– Como assim? — Perguntei curioso mas não tirei os olhos da estrada.

– A vida é como se fosse uma rodovia de mão única. Você pode parar no acostamento e apenas observar os outros passarem, restando acenar para eles e desejar boa sorte, ou pode decidir seguir em frente e ultrapassar eles. Porém é melhor tentar passar na frente e tentar chegar onde quer, do que desistir, parar no acostamento e apenas observar de longe a jornada do outro.

– Ei aumenta o som ae. É carnaval poxa — Outro amigo com longos cabelos loiros esticou o braço ligando o som e colocando no volume alto. Olhei para Alex, ele estava de volta olhando para fora com um sorriso no rosto aproveitando o som da música. Mudei a marcha mais uma vez e seguimos viagem.

Toalha na Cama


Alex Scott

Viver um relacionamento na maioria das vezes é sinônimo de ter que abrir mão da sua privacidade, intimidade e paciência, é até aceitável que haja isso, afinal moramos em sociedade. Certa noite um casal já estava se preparando para dormir. O homem estava na sala lendo um livro quando sua mulher aparece bufando na sala.

– Quantas vezes tenho que repetir que não é para deixar a toalha molhada em cima da cama? – Disse gritando e gesticulando.

– Tenho uma explicação completamente plausível para isso. – O homem fecha o livro e coloca na mesinha ao lado, respira fundo algumas vezes.

– Qual a desculpa dessa vez? – Disse a mulher de braços cruzados batendo o pé no chão.

– O jogo já tinha começado e você sabe que eu sou flamenguista roxo. O Flamengo detonou com o Vasco.

– Das desculpas esdrúxulas essa foi a campeã. Mamãe tinha razão. Você nunca prestou. Você sempre foi avoado, você não presta atenção em nada.

– Claro que presto meu amor. – O homem fica em pé e tenta fazer um carinho na esposa, mas ela dá um passo para trás.

– A é? Que dia é nosso aniversário de casamento?

– Ah essa é fácil. Dia 16 de agosto.

– Não presta atenção em nada. 14 de abril seu jumento. – A esposa eleva o tom de voz.

– Ei.. Não precisa ofender. Errei por pouco. Também não é assim.

– Ah claro errou por quatro meses. Falando nisso estamos em outubro e você sequer se lembrou. Sabe o que a Lurdinha disse? Ela disse que nosso casamento está indo por água abaixo.

– Você foi buscar conselhos com aquela maluca que acredita em horóscopo? Poxa amor você está exagerando, eu ando preocupado com o trabalho e com essa crise que está acabando com o país. Dá um tempo.

– Tempo? Ah o rei quer ter tempo? Ok majestade você tem todo o tempo do mundo – a mulher disse em tom de deboche –  Mamãe sempre me alertou sobre você.

– Citar sogra não vale, sogra já nasce destinada a ser um terror na vida do genro. Todo mundo sabe que sogra é o demônio encarnado.

– Ta chamando minha mãe de demônio? Demônio é a sua vó. – Ela fica mais furiosa.

– Não é isso. Desculpa. Eu errei, sei que não devia ter colocado a toalha molhada em cima da cama. Me desculpa? – Diz o homem com preguiça de discutir.

– Não venha se fazer de santinho agora. Faz besteira e apenas um pedido de desculpas resolve? Quero ação, ah mas se eu te pegar colocando toalha molhada na cama outra vez. Vou fazer picadinho de você.

– Meu amor, mas eu já pedi desculpas, eu juro que não vou fazer mais isso.

– Não aprende mesmo. Você pensa que sou besta? Tenho cara de otária?

– Não meu amor – Diz o marido colocando a mão no rosto da esposa e esfregando a bochecha com os dedos. – Eu nunca pensaria isso de você. Me perdoa? vamos esquecer isso e ir dormir, já está tarde.

– Como eu posso esquecer? A cama agora está molhada e justamente na parte onde eu deito, se eu pegar um resfriado eu te mato.

– Ok vamos fazer assim. Vamos trocar de lado, eu durmo no lado molhado e você dorme no lado seco. Pode ser?

– Pode sim. Mas já aviso. Na próxima vez eu não te perdoo mais.

O casal deita na cama e o homem apaga a luz.

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Noite Dos Sonhos

De Oliver Scott

Numa noite qualquer, em um bar qualquer um casal qualquer se encontra. O relógio velho faltando o ponteiro dos segundos marcava 19:45. No fundo tocava uma música de blues. Uma garota de 30 anos, bem vestida com uma saia preta e camisa branca, seu cabelo longo está solto. Está sentada em um bar e na sua frente um copo de Martíni, ela brincava com o palito entre os dedos que outrora estava com uma azeitona. O celular dela está em cima da mesa. Ele está no seu momento, não quer ninguém atrapalhando.  – Garçom, por favor outro Martíni com o dobro de Vodca. – Ela então bebeu um pouco e ficou recapitulando o que aconteceu no dia. Ela teve reuniões com investidores estrangeiros o dia todo.

Do lado de fora começa a cair uma chuva fina popularmente chamada de chuvisco, os carros acionam o para-brisa, e começa uma sinfonia de buzinas. A garota se ajeita na cadeira e começa a batucar na mesa ao som da música de fundo.

Entra um homem de terno risca giz no bar, cabelo com gel penteado para trás, barba fechada e bem alinhada. O homem então chega no balcão – Ei meu chapa, me vê uma gelada aí. – Ele então senta no banquinho e o barman entrega uma garrafa de cerveja.

O homem bebe direto na garrafa molhando a garganta seca. Ele termina de virar a garrafa e olha para a garota sentada do seu lado com a cabeça baixa franzindo a testa mexendo no celular.

– Dia difícil? – perguntou o homem.

– Ah sim – Ela se assusta e levanta o rosto. – hoje foi um dia daqueles. Desculpa mexer no celular enquanto falo com você.

– Não se preocupe, também não paro um minuto, então deixei meu celular dentro do carro, a proposito me chamo Nero – ele estende a mão.

– Prazer, Mônica – diz ela pegando na mão dele.

– Então, você frequenta muito esse bar? – Ele bebe mais um gole de sua cerveja.

– Ah sim. Venho aqui quase todo dia antes de ir para casa. É minha fonte de rejuvenescimento. – Mônica joga para o lado uma mecha de cabelo que estava caindo sobre a sua testa.

– Legal, estava saindo do tribunal, no caminho o transito começou a engarrafar então resolvi vir aqui. Que coincidência não é mesmo?

– Ah sim, muita.

– Deixa eu adivinhar, você trabalha em banco, acertei?

–  Quase. Sou CEO de uma empresa de investimentos mobiliários.

– Uau. – Nero arregala os olhos – Meus cumprimentos.

A chuva começou a engrossar, as gotas batiam em um toldo branco do lado de fora e escorria caindo em uma cadeira, do outro lado da rua um homem corria protegendo a cabeça até se proteger embaixo de uma marquise.

– Fazia tempo que não chovia. Vejo que vou demorar o dobro do tempo para chegar em casa – Comentou Nero olhando para fora observando o transito. –  Ainda bem que encontrei vaga aqui perto.

– Me conte. O que faz da vida? – Mônica chegou mais perto.

– Bem, sou advogado tributarista. Presto consultoria para empresas que querem fugir de tributos altos.

– Entendo… O que você sugere para minha empresa ter mais lucro e pagar menos tributo?

– Desculpe essa informação custa R$ 300,00 reais. Mas se você for realmente curiosa podemos compensar com mais uma rodada.

– Ah desculpe doutor. Não sabia que estávamos em seu escritório. – Mônica falou em tom de deboche.

– Gostei de você. É esperta.

– Obrigada. Também gostei de você. É o primeiro homem que não chega com cantadas de pedreiro ou com papo furado de perguntar as horas ou falar sobre o tempo.

– Puxa. Quantos caras são desse jeito?

– Só hoje foram uns 10. Mas o movimento foi fraco.

– Hummm. Concorrentes. Parece um jogo divertido.

– Aproveita que você está em vantagem e me chama para sair. – Mônica pisca.

– Ta achando que sou fácil assim? Na na ni na não. Para sair comigo só depois de um vinho.

– Hahaha. Viu como é ruim receber cantadas, acham que é só chegar falar um papo mole e pronto, você está pronta para ir para cama com ele.

– Estou impressionado. Está corretíssima.

Nero olhou no relógio – Ih já é quase nove horas, eu não sou dessa cidade, você mora aonde? Para eu ver se é caminho do hotel. Quer carona para casa?

– Que isso. Não precisa não, a chuva já diminuiu, eu vou assim mesmo. Moro aqui perto.

– Não. Já está tarde e é perigoso. Venha, eu te levo. Prometo não atropelar ninguém.

– Não sei se devo. – Pensou Mônica. Afinal, ela estava aceitando carona de um completo estranho. Já tinha visto reportagens sobre mulheres que aceitavam caronas e eram estupradas e mortas. Mas afinal, esse rapaz não parece ser ameaçador, está bem vestido, e é preferível com ele do que ir no escuro.

– OK. Aceito sua carona.

Os dois entraram no carro. O carro era uma Mercedes último lançamento. Isso confortou Mônica, um estuprador que se preze não utiliza um carro tão caro assim. Foram conversando sobre a vida, rotina e causos engraçados. Mônica talvez por causa do álcool se sentiu mais relaxada, soltou os cabelos e encostou no ombro do rapaz.

– Ei. Não vai dormir agora, estamos quase chegando.

– Ah que pena. Sabe você é a melhor companhia que eu já tive nesse dia cheio, o resto dos rapazes só sabiam falar de negócios, investimentos, bolsa de valores e crise econômica.

– Se quiser começo a falar dos meus problemas jurídicos.

– Isso me fale

– Melhor não. Não quero que você morra de tédio.

Mônica encosta no ombro de Nero e cochila, acordando quando o carro freava. – Acho que bebi demais.

– Você está bem?

– Sim sim, estou ótima.

– Acho melhor você passar a noite na minha casa. Depois você desmaia e eu sou culpado.

– Eu não quero incomodar. – Mônica havia gostado do rapaz, ele era simpático, engraçado, inteligente.

– Não vai incomodar, estou no hotel.

O carro para no hotel, o manobrista abre a porta para Mônica, ela desce e Nero acompanha até o quarto passando pelo saguão. O hotel era cinco estrelas, o saguão era enorme. O recepcionista do hotel. Um francês de nariz arrebitado com um crachá no peito escrito Pierre LeMont.

– Bonjur, Monsieur Nero. – Falou Pierre com um sotaque francês carregado.

– Bonjur Pierre. Chave para o quarto 646 por favor.

– OK. Vejo que está acompanhado com uma madame.

– Bonjur Comment allez-vous (como você está)? – Mônica pergunta ao gerente.

– Oh bien.

– Vamos para o quarto.  – Nero segura nas mãos de Mônica e ela aperta.

Eles entram no elevador, nisso Mônica esta encostada nos ombros do rapaz, Nero sente o perfume doce e sente algo dentro de si. Um impulso forte, ele a abraça e ela abraça mais forte, os dois se beijam. Foi um beijo demorado. O elevador chega no andar, entram quarto. O quarto era grande, era uma suíte presidencial, dúplex com um closet enorme, chão de madeira e uma cama de casal com lençol branco. Nero vai ao banheiro. Mônica observa o ambiente, não parece que Nero estava apenas passando uma noite no hotel, havia coisas pessoais nele. Como DVDs, Discos e livros todos em várias estantes.

– Vejo que convidei uma bisbilhoteira – Nero aparece com tom de deboche ao ver ela mexendo em seus livros.

– Ah não, estava apenas olhando. Muito bonito o seu quarto de hotel.

– Você não viu nada. Já escutou jazz?

– Ah sim. Meu pai quando era solteiro tocava em uma banda de jazz.

– Então escuta esse som.  – Ele coloca um disco do John Coltrane.

– Meu deus, adoro essa música. Meu pai tocava quando eu era pequena para me fazer dormir.

Nero então pega nas mãos de Mônica e começam a dançar ao som da música, então os dois se beijam mais uma vez. Ao ritmo da música caminham para a cama. Mônica e Nero estavam apaixonados. Juraram amor eterno. Passaram a noite os dois juntos na cama enquanto John Coltrane fazia o tema da noite. Do lado de fora a chuva cai fraca como uma cortina fechando a noite.

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Memórias

De Oliver Scott

Já passava das 22 horas, Miguel foi até a cozinha. Colocou a chaleira no fogo com água. Abriu a despensa e escolheu um chá leve que tivesse algum efeito de calmante. Encontrou o chá de erva-doce. Preparou uma xícara colocando um saquinho dentro. Pegou o pão de forma e colocou na torradeira. Miguel gostava de dormir com estômago cheio.

Abriu a geladeira e pegou a manteiga. A chaleira fez um assovio leve, ele desligou o fogão pegou a chaleira e despejou a água na xícara. Esperou um pouco, tirou o sachê e acrescentou um pouco de mel, as torradas saltaram e ele colocou no prato, passou uma camada de manteiga em cada torrada e foi para a varanda. O céu estava estrelado, e um grilo tocava uma melodia no fundo.

Ele sentou na cadeira e comeu calmamente as torradas, bebeu o chá e ficou observando o céu estrelado no horizonte. Fazia tempo que ele não pensava nela. Que coisa curiosa a memória. Como conseguimos nos lembrar de coisas que nos aconteceram há muito tempo.

Se conheceram em uma espécie de bistrô no leste Europeu. Ele estava com alguns amigos em viagem, depois de muitas conversas, seu olhar repousou sobre uma garota graciosa, era uma garota loira, nariz arrebitado e ar jovial. Ela estava com amigas, se divertiam muito, ela se movimentava como o cisne branco da peça de Tchaikovsky.

Miguel tomou mais um gole de chá.

Miguel tomou coragem e foi falar com ela, descobriu que seu nome era Isolda. Ela era uma nativa do lugar, apesar de conhecer muitas culturas e povos, nunca havia saído do continente europeu. Resolveram dar uma volta pela cidade. Caminharam até a beira do lago que dava de frente a um enorme palácio do parlamento que por causa das luzes tinha um aspecto dourado.

– Uau, que belo. – Exclamou Miguel. Estava frio, Isolda encostou nos ombros de Miguel, os dois haviam sentido a mesma atração. Os dois amaram a noite toda sob o testemunho das estrelas e da lua.

Uma noite qualquer após jantarem, foram para a praça principal para ver o luar

– Sabe a lenda do meu nome? Era em homenagem a um conto celta de um guerreiro que se apaixona por uma mulher, porém o destino os mantem separados. – Isolda diz.

– Eu nunca irei deixar de pensar em você meu amor. Estará sempre eternizada em minha memória.

– Prometa que nunca me esquecerá?

– Prometo e Deus é testemunha.

Isolda então entregou um pingente a Miguel com um símbolo de infinito gravado nele. Ela contou que simbolizava a memória. No outro dia Miguel seguiu viagem deixando a sua garota para trás. Ele sempre segurava o pingente e se lembrava dos melhores momentos juntos.

Ele sabia que não iria encontrar ela novamente. Talvez ela esteja casada, se passaram muito tempo desde que se conheceram. Será que teve filhos? – Será que o marido a ama igual eu amei? – Pensava ele sempre.

Já estava ficando tarde. Passava da meia-noite. Ele então segurou o pingente entre as mãos e mentalizou os maravilhosos momentos que passaram juntos. Levantou da cadeira, entrou na casa e foi dormir. Apesar de nunca mais se encontrarem ou vivenciar aquela experiência, ele sabia que aquele momento seria eternizado na sua memória.

Paixão Juvenil

De Alex Scott

Frederico Maya um médico da cidade grande parou seu carro na porta da Fazenda dos Prazeres na zona rural do interior de Goiás, perto da cidade de Mozarlândia para cuidar de uma senhora muito doente.

– Tarde – Saudou Frederico Maya gritou levantando a mão para uma senhora que tricotava uma blusa para algum netinho.

– Tarde doutor – saudou a senhora que se chamava Lurdes, ela estava com a sua idade já avançada.

– Senhora, é aqui que a paciente está?

– Oh sim, é a minha mãe. Ela tá muito doente. Desde semana passada não tem forças. Está sempre deitada e reclama de dores no corpo e febre que não cessa. Não sei mais o que fazer. Até rezar já rezei.

A casa por dentro era pequena. A sala era minúscula, tinha uma TV de tubo e um sofá de couro já gasto de cor marrom. O ar era abafado, apesar da janela aberta não passava corrente de ar. Ele entrou no quarto. Na cama estava deitada uma senhora idosa que de acordo com Lurdes se chamava Josefa. Quando ele entrou ela abriu os olhos e ergueu a mão.

– Oh Minha Nossa Senhora escutou meus pedidos e trouxe um doutor que irá me curar.

– Boa Tarde, eu sou o médico que vai te examinar.

Dr Frederico então sentou na borda da cama, abriu a sua maleta e tirou um estetoscópio e escutou o coração e a respiração.

– Hum, interessante.

– Bem o coração e a respiração estão normais.

– A temperatura está um pouco alta mas não é nada grave

Neste instante entrou uma garota. Ela era jovem, tinha 19 anos, usava um vestido florido, estava descalça e tinha um ar inocente, seus cabelos loiros estavam soltos e ela movimentava com graça.

– Tarde. – Saudou a garota ao ver o doutor

– Oh minha filha esse é o Dr Frederico Maya

– Prazer – Disse o médico mexendo a cabeça de forma cortês

– Gradecida – disse a pequena jovem – Me chamo Geovana.

– Oh que belo nome. Deus é cheio de graça esse é o significado do seu belo nome.

A garota ficou vermelha de vergonha. Deu um pequeno sorriso de canto da boca.

– Sempre fui muito religiosa – Dizia a mãe – Essa pequena garota foi fruto de um milagre. Enquanto eu estava rezando na paróquia do Padre Jeová. Pedi a Deus para me dar uma menina, fazia anos que eu tentava engravidar sem sucesso.

– Deus então me deu esse presente. Ela é meu tesouro, minha vida.

– Ela é muito bonita. Parabéns.

– Obrigada, aceita uma xícara de café doutor?

– Se não for incomodo…

– Imagina. Já já fica pronto.

Frederico continuou examinando a senhora, escutava pacientemente a enferma contar os sintomas. – Doutor, isso começou faz algumas semanas, acordei a noite com febre e com dor na boca do estomago, perda de apetite e dor de cabeça e no corpo.

Passou alguns minutos a senhora trouxe uma bandeja com uma xicara de café e alguns biscoitos. Frederico agradeceu e pegou uma xicara para ele.

– Então doutor, o que ela tem?

– Olha não tenho certeza, mas tudo indica que é uma virose. Terei que acompanhar o progresso dela. – Frederico bebeu um gole do café.

– Você será bem-vindo nesta casa. Por favor faça de tudo para curar minha mãe. – Lurdes implorava.

– Não quero incomodar. Mal cabe vocês quatros, imagina mais um.

– Por favor, meu marido tá pra roça, só volta daqui cinco semanas, tem um quarto sobrando.

– Realmente não é necessário. Já tenho onde dormir.

– Eu insisto, será uma honra para nós que você passe a noite aqui.

– Ok. Se insistem.

Doutor Frederico se hospedou na casa e logo surgiu os boatos na boca do povo – Fiquei sabendo que o doutor Frederico tá morando de favores na casa da dona Lurdes. – Para de falar besteira, ele ta lá porque a filha dela ta doente. – Não era a avó? – Ouvi dizer que é grave a doença da avó, ela só tem poucos dias de vida. – Não fala besteira Juvenal.

No domingo a família ia regularmente à paróquia do Padre Jeová. Frederico teve que ir também, ele estava com um paletó cinza com camisa branca, sua barba estava bem aparada. Lurdes estava com um vestido longo cor xadrez e um coque. Geovana estava com um vestido florido e cabelos soltos, era linda. Muitos rapazes morriam de amor por ela, e ela fazia de conta que não correspondia. Ela gostava de desafiar os outros, provocar para ver qual será a reação. A mulher doente também foi. Ela ainda acreditava no milagre de da Nossa Senhora.

Após a missa voltaram para casa. No jantar enquanto comiam, Frederico não tirava os olhos da graciosa Geovana. Era realmente uma garota fantástica, usava um vestido branco leve, ela tinha aparência angelical. Seus movimentos não eram rudes. Frederico não acreditava que em meio a uma família de interior semianalfabeta houvesse um ser de luz. Talvez esse era um preconceito que o médico tinha por ter vivido por muito tempo na cidade grande. Ele aos poucos ia perdendo isso, porém, ainda era forte.

Após o jantar Dr Frederico foi para a varanda e ascendeu um cigarro, olhava para o céu estrelado e viu cinco estrelas cadentes cruzarem o céu.

– Não sabia que médicos fumavam? – Geovana estava encostada no portal de braços cruzados fingindo indignação.

– E não fumam. É um vício que estou tentando largar pequena garota.

– Não sabe que fumar faz mal? Meu avô morreu porque fumava muito.

– Sim, tem razão. Fumar causa problemas de saúde sérios.

– Mas se ocê sabe que causa problemas, por que ainda fuma?

Frederico sentou na escada e Geovana sentou do lado dele, ele pegou o cigarro e jogou fora. – Na minha época pequena criança, não sabíamos que fumar fazia tanto mal assim. Comecei a fumar depois que entrei na faculdade, meus colegas fumavam e eu passei a fumar também.

– Ah então o senhor é uma Maria vai com as outras?

Frederico cada vez mais ficava impressionado com o jeito de Geovana. Apesar de ter se irritado várias vezes com essas inquisições descabidas, afinal a vida era dele e ninguém tinha nada a ver com isso. Mesmo assim ela despertava algo nele. Ela fazia de uma forma que era impossível se irritar. Então ele apenas riu e mexeu a cabeça confirmando.

– Olhe uma estrela cadente. – Mamãe sempre diz que a estrela cadente era um anjo que caiu do céu, e para ele voltar para o céu nos concedia um pedido. – Disse Geovana apontando para o céu.

– O que pediu? – Frederico colocou as mãos para trás apoiando no chão de madeira.

– Há duas semanas atrás pedi para que alguém curasse minha avó.

– Hum. Então eu sou a realização do seu desejo?

– Se você pensa assim. – Disse Geovana dando de ombros.

– Sabe…Também fiz um pedido a uma estrela quando eu era menor.

– O que pediu?

– Não posso contar, senão não se realiza.

– Seu bobo – Geovana deu um tapa de leve nos ombros de Frederico.

– Ora sua… – Frederico se levantou e ela correu e ele foi atrás. Após correrem bastante, Geovana entrou no celeiro e ele foi atrás, ele alcançou ela, abraçaram e caíram juntos no feno.

– Agora te peguei. – Fred segurava as mãos da garota.

– Não vale, você trapaceou.

– Sou mais rápido que você só isso.

Seus olhos se encontraram e o coração de ambos bateram forte e ao mesmo tempo, a respiração dela se tornou mais profunda, seus seios mexiam enquanto ela respirava. Frederico também sentiu uma paz, se beijaram. O beijo durou meia hora, beijaram com vontade.

– Sabe o que pedi a estrela?

– O que pediu?

– Um anjo só para mim.

– Eu também pedi um anjo só para mim.

Então Amaram a noite inteira. No outro dia tentaram agir como se nada tivesse ocorrido, afinal ele era um médico e estava lá apenas para questões profissionais. Ele foi até o quarto da paciente. – Doutor, não vi o senhor subir para o quarto. – Comentou a Josefa.

– Na hora que passei a senhora já estava dormindo.

– Deve ser isso.

– Hum, vejo que temos uma melhora na febre. O que a senhora está sentido?

– Ah ainda estou um pouco fraca e essa tosse não me deixa em paz.

– É, me parece uma virose.

Frederico escutou a voz de seu anjo brincando no quintal. Seu coração palpitou e a lembrança da noite anterior veio viva em sua mente. Doce Geovana meu anjo querido, meu presente de Deus – Pensava Frederico enquanto verificava a pressão de Josefa. Frederico e Geovana continuaram se amando por semanas.

Passadas três semanas Josefa estava completamente curada e o doutor Frederico teria que voltar para a cidade grande. Ele recebeu um presente de agradecimento, um doce de leite caseiro que Lurdes fez. Ele procurou Geovana em todos os lugares mas não encontrou.

– Viu a pequena Geovana?

– Ih essa menina é danada, fica se escondendo pelas bandas da mata. Talvez esteja lá fazendo estripulias.

Frederico entrou na mata e chegou perto da cachoeira. Algo o deteve. Ele viu Geovana e um garoto se beijando ardentemente igual aconteceu com ele. O doutor não ficou nervoso nem triste, apenas seguiu o seu caminho, ele entendeu que a paixão juvenil é muito volátil.

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