Perdendo a Hora

Acordei de um sono pesado. Abri os olhos, um susto percorreu minha espinha. Ainda vagava entre sonho e realidade. Imóvel na cama com os olhos abertos, eles se moveram de um lado para o outro, eu tinha uma sensação de ter feito algo de errado, algo tinha passado despercebido. Olhei rápido no relógio, ele marcava 8:30. Estremeci, meu horário de acordar era às 6 h:30 min. Já era segunda. Eu estava atrasado.

– Você está atrasado, como pôde perder o horário? – Disse uma voz no meu subconsciente.

– Mas eu coloquei o relógio para despertar. Ontem não dormi tão tarde. – Discuti mentalmente.

– Mentira, se tivesse colocado o despertador no horário correto, tinha acordado. Meia-noite e meia não é um horário ideal. Você se Lembra dos avisos da sua mãe dizendo para dormir mais cedo?

Deixei esse diálogo sem futuro para trás e me levantei. O quarto estava escuro. Abri a janela e a claridade do sol iluminou todo o quarto. Sentei na cama, um gosto amargo na boca. Pela falta de comer e também pela vergonha de estar atrasado para o trabalho.

Entrei no banheiro o mais rápido possível e quase bati o dedo na quina da porta. Liguei o chuveiro, enquanto a água descia eu pensava – Como fui ser tão idiota de não acordar na hora certa? Agora chegarei atrasado, minha reputação vai para o lixo. Quantos clientes estão neste momento reclamando da falta de atendimento? Quantos fornecedores estão querendo falar comigo?

Meu chefe, meu Deus. Finalmente consegui o respeito dele. Ele até me chamou para ir no churrasco na casa dele. Tudo por água baixo porque acordei tarde. Mas enfim, isso é injusto. Uma única falta assim não é motivo de tanto alarde.

E se eu disser, fiquei doente? Uma gripe quem sabe? Dengue, afinal o tempo esfriou, há um surto de mosquitos na cidade…

Mas terei que mostrar atestado. Droga, não tenho nenhum amigo ou parente médico. Se eu for no pronto-socorro serei desmascarado. O jeito é encarar as consequências.

Saí do banho e voltei para o quarto, bati o dedinho na quina do criado mudo, gritei de dor e fiquei na cama gemendo. – Maldito móvel estúpido. – Vesti a roupa o mais rápido possível, fui para a cozinha. Estava vazia, presumi que todos já haviam saídos. Menos mal, assim ninguém iria ver minha vergonha. Tomei café com leite, passei manteiga no pão e comi depressa. Voltei correndo para o banheiro, escovei os dentes, passei perfume. Arrumei as coisas, antes de pegar a chave do carro dei uma olhada novamente no celular, quase bati novamente o dedo na quina do criado mudo quando percebi a verdade, ainda era domingo.

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Twitter: @CaioMorningstar

 

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