Noite Dos Sonhos

De Oliver Scott

Numa noite qualquer, em um bar qualquer um casal qualquer se encontra. O relógio velho faltando o ponteiro dos segundos marcava 19:45. No fundo tocava uma música de blues. Uma garota de 30 anos, bem vestida com uma saia preta e camisa branca, seu cabelo longo está solto. Está sentada em um bar e na sua frente um copo de Martíni, ela brincava com o palito entre os dedos que outrora estava com uma azeitona. O celular dela está em cima da mesa. Ele está no seu momento, não quer ninguém atrapalhando.  – Garçom, por favor outro Martíni com o dobro de Vodca. – Ela então bebeu um pouco e ficou recapitulando o que aconteceu no dia. Ela teve reuniões com investidores estrangeiros o dia todo.

Do lado de fora começa a cair uma chuva fina popularmente chamada de chuvisco, os carros acionam o para-brisa, e começa uma sinfonia de buzinas. A garota se ajeita na cadeira e começa a batucar na mesa ao som da música de fundo.

Entra um homem de terno risca giz no bar, cabelo com gel penteado para trás, barba fechada e bem alinhada. O homem então chega no balcão – Ei meu chapa, me vê uma gelada aí. – Ele então senta no banquinho e o barman entrega uma garrafa de cerveja.

O homem bebe direto na garrafa molhando a garganta seca. Ele termina de virar a garrafa e olha para a garota sentada do seu lado com a cabeça baixa franzindo a testa mexendo no celular.

– Dia difícil? – perguntou o homem.

– Ah sim – Ela se assusta e levanta o rosto. – hoje foi um dia daqueles. Desculpa mexer no celular enquanto falo com você.

– Não se preocupe, também não paro um minuto, então deixei meu celular dentro do carro, a proposito me chamo Nero – ele estende a mão.

– Prazer, Mônica – diz ela pegando na mão dele.

– Então, você frequenta muito esse bar? – Ele bebe mais um gole de sua cerveja.

– Ah sim. Venho aqui quase todo dia antes de ir para casa. É minha fonte de rejuvenescimento. – Mônica joga para o lado uma mecha de cabelo que estava caindo sobre a sua testa.

– Legal, estava saindo do tribunal, no caminho o transito começou a engarrafar então resolvi vir aqui. Que coincidência não é mesmo?

– Ah sim, muita.

– Deixa eu adivinhar, você trabalha em banco, acertei?

–  Quase. Sou CEO de uma empresa de investimentos mobiliários.

– Uau. – Nero arregala os olhos – Meus cumprimentos.

A chuva começou a engrossar, as gotas batiam em um toldo branco do lado de fora e escorria caindo em uma cadeira, do outro lado da rua um homem corria protegendo a cabeça até se proteger embaixo de uma marquise.

– Fazia tempo que não chovia. Vejo que vou demorar o dobro do tempo para chegar em casa – Comentou Nero olhando para fora observando o transito. –  Ainda bem que encontrei vaga aqui perto.

– Me conte. O que faz da vida? – Mônica chegou mais perto.

– Bem, sou advogado tributarista. Presto consultoria para empresas que querem fugir de tributos altos.

– Entendo… O que você sugere para minha empresa ter mais lucro e pagar menos tributo?

– Desculpe essa informação custa R$ 300,00 reais. Mas se você for realmente curiosa podemos compensar com mais uma rodada.

– Ah desculpe doutor. Não sabia que estávamos em seu escritório. – Mônica falou em tom de deboche.

– Gostei de você. É esperta.

– Obrigada. Também gostei de você. É o primeiro homem que não chega com cantadas de pedreiro ou com papo furado de perguntar as horas ou falar sobre o tempo.

– Puxa. Quantos caras são desse jeito?

– Só hoje foram uns 10. Mas o movimento foi fraco.

– Hummm. Concorrentes. Parece um jogo divertido.

– Aproveita que você está em vantagem e me chama para sair. – Mônica pisca.

– Ta achando que sou fácil assim? Na na ni na não. Para sair comigo só depois de um vinho.

– Hahaha. Viu como é ruim receber cantadas, acham que é só chegar falar um papo mole e pronto, você está pronta para ir para cama com ele.

– Estou impressionado. Está corretíssima.

Nero olhou no relógio – Ih já é quase nove horas, eu não sou dessa cidade, você mora aonde? Para eu ver se é caminho do hotel. Quer carona para casa?

– Que isso. Não precisa não, a chuva já diminuiu, eu vou assim mesmo. Moro aqui perto.

– Não. Já está tarde e é perigoso. Venha, eu te levo. Prometo não atropelar ninguém.

– Não sei se devo. – Pensou Mônica. Afinal, ela estava aceitando carona de um completo estranho. Já tinha visto reportagens sobre mulheres que aceitavam caronas e eram estupradas e mortas. Mas afinal, esse rapaz não parece ser ameaçador, está bem vestido, e é preferível com ele do que ir no escuro.

– OK. Aceito sua carona.

Os dois entraram no carro. O carro era uma Mercedes último lançamento. Isso confortou Mônica, um estuprador que se preze não utiliza um carro tão caro assim. Foram conversando sobre a vida, rotina e causos engraçados. Mônica talvez por causa do álcool se sentiu mais relaxada, soltou os cabelos e encostou no ombro do rapaz.

– Ei. Não vai dormir agora, estamos quase chegando.

– Ah que pena. Sabe você é a melhor companhia que eu já tive nesse dia cheio, o resto dos rapazes só sabiam falar de negócios, investimentos, bolsa de valores e crise econômica.

– Se quiser começo a falar dos meus problemas jurídicos.

– Isso me fale

– Melhor não. Não quero que você morra de tédio.

Mônica encosta no ombro de Nero e cochila, acordando quando o carro freava. – Acho que bebi demais.

– Você está bem?

– Sim sim, estou ótima.

– Acho melhor você passar a noite na minha casa. Depois você desmaia e eu sou culpado.

– Eu não quero incomodar. – Mônica havia gostado do rapaz, ele era simpático, engraçado, inteligente.

– Não vai incomodar, estou no hotel.

O carro para no hotel, o manobrista abre a porta para Mônica, ela desce e Nero acompanha até o quarto passando pelo saguão. O hotel era cinco estrelas, o saguão era enorme. O recepcionista do hotel. Um francês de nariz arrebitado com um crachá no peito escrito Pierre LeMont.

– Bonjur, Monsieur Nero. – Falou Pierre com um sotaque francês carregado.

– Bonjur Pierre. Chave para o quarto 646 por favor.

– OK. Vejo que está acompanhado com uma madame.

– Bonjur Comment allez-vous (como você está)? – Mônica pergunta ao gerente.

– Oh bien.

– Vamos para o quarto.  – Nero segura nas mãos de Mônica e ela aperta.

Eles entram no elevador, nisso Mônica esta encostada nos ombros do rapaz, Nero sente o perfume doce e sente algo dentro de si. Um impulso forte, ele a abraça e ela abraça mais forte, os dois se beijam. Foi um beijo demorado. O elevador chega no andar, entram quarto. O quarto era grande, era uma suíte presidencial, dúplex com um closet enorme, chão de madeira e uma cama de casal com lençol branco. Nero vai ao banheiro. Mônica observa o ambiente, não parece que Nero estava apenas passando uma noite no hotel, havia coisas pessoais nele. Como DVDs, Discos e livros todos em várias estantes.

– Vejo que convidei uma bisbilhoteira – Nero aparece com tom de deboche ao ver ela mexendo em seus livros.

– Ah não, estava apenas olhando. Muito bonito o seu quarto de hotel.

– Você não viu nada. Já escutou jazz?

– Ah sim. Meu pai quando era solteiro tocava em uma banda de jazz.

– Então escuta esse som.  – Ele coloca um disco do John Coltrane.

– Meu deus, adoro essa música. Meu pai tocava quando eu era pequena para me fazer dormir.

Nero então pega nas mãos de Mônica e começam a dançar ao som da música, então os dois se beijam mais uma vez. Ao ritmo da música caminham para a cama. Mônica e Nero estavam apaixonados. Juraram amor eterno. Passaram a noite os dois juntos na cama enquanto John Coltrane fazia o tema da noite. Do lado de fora a chuva cai fraca como uma cortina fechando a noite.

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