Memórias

De Oliver Scott

Já passava das 22 horas, Miguel foi até a cozinha. Colocou a chaleira no fogo com água. Abriu a despensa e escolheu um chá leve que tivesse algum efeito de calmante. Encontrou o chá de erva-doce. Preparou uma xícara colocando um saquinho dentro. Pegou o pão de forma e colocou na torradeira. Miguel gostava de dormir com estômago cheio.

Abriu a geladeira e pegou a manteiga. A chaleira fez um assovio leve, ele desligou o fogão pegou a chaleira e despejou a água na xícara. Esperou um pouco, tirou o sachê e acrescentou um pouco de mel, as torradas saltaram e ele colocou no prato, passou uma camada de manteiga em cada torrada e foi para a varanda. O céu estava estrelado, e um grilo tocava uma melodia no fundo.

Ele sentou na cadeira e comeu calmamente as torradas, bebeu o chá e ficou observando o céu estrelado no horizonte. Fazia tempo que ele não pensava nela. Que coisa curiosa a memória. Como conseguimos nos lembrar de coisas que nos aconteceram há muito tempo.

Se conheceram em uma espécie de bistrô no leste Europeu. Ele estava com alguns amigos em viagem, depois de muitas conversas, seu olhar repousou sobre uma garota graciosa, era uma garota loira, nariz arrebitado e ar jovial. Ela estava com amigas, se divertiam muito, ela se movimentava como o cisne branco da peça de Tchaikovsky.

Miguel tomou mais um gole de chá.

Miguel tomou coragem e foi falar com ela, descobriu que seu nome era Isolda. Ela era uma nativa do lugar, apesar de conhecer muitas culturas e povos, nunca havia saído do continente europeu. Resolveram dar uma volta pela cidade. Caminharam até a beira do lago que dava de frente a um enorme palácio do parlamento que por causa das luzes tinha um aspecto dourado.

– Uau, que belo. – Exclamou Miguel. Estava frio, Isolda encostou nos ombros de Miguel, os dois haviam sentido a mesma atração. Os dois amaram a noite toda sob o testemunho das estrelas e da lua.

Uma noite qualquer após jantarem, foram para a praça principal para ver o luar

– Sabe a lenda do meu nome? Era em homenagem a um conto celta de um guerreiro que se apaixona por uma mulher, porém o destino os mantem separados. – Isolda diz.

– Eu nunca irei deixar de pensar em você meu amor. Estará sempre eternizada em minha memória.

– Prometa que nunca me esquecerá?

– Prometo e Deus é testemunha.

Isolda então entregou um pingente a Miguel com um símbolo de infinito gravado nele. Ela contou que simbolizava a memória. No outro dia Miguel seguiu viagem deixando a sua garota para trás. Ele sempre segurava o pingente e se lembrava dos melhores momentos juntos.

Ele sabia que não iria encontrar ela novamente. Talvez ela esteja casada, se passaram muito tempo desde que se conheceram. Será que teve filhos? – Será que o marido a ama igual eu amei? – Pensava ele sempre.

Já estava ficando tarde. Passava da meia-noite. Ele então segurou o pingente entre as mãos e mentalizou os maravilhosos momentos que passaram juntos. Levantou da cadeira, entrou na casa e foi dormir. Apesar de nunca mais se encontrarem ou vivenciar aquela experiência, ele sabia que aquele momento seria eternizado na sua memória.

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