Paixão Juvenil

De Alex Scott

Frederico Maya um médico da cidade grande parou seu carro na porta da Fazenda dos Prazeres na zona rural do interior de Goiás, perto da cidade de Mozarlândia para cuidar de uma senhora muito doente.

– Tarde – Saudou Frederico Maya gritou levantando a mão para uma senhora que tricotava uma blusa para algum netinho.

– Tarde doutor – saudou a senhora que se chamava Lurdes, ela estava com a sua idade já avançada.

– Senhora, é aqui que a paciente está?

– Oh sim, é a minha mãe. Ela tá muito doente. Desde semana passada não tem forças. Está sempre deitada e reclama de dores no corpo e febre que não cessa. Não sei mais o que fazer. Até rezar já rezei.

A casa por dentro era pequena. A sala era minúscula, tinha uma TV de tubo e um sofá de couro já gasto de cor marrom. O ar era abafado, apesar da janela aberta não passava corrente de ar. Ele entrou no quarto. Na cama estava deitada uma senhora idosa que de acordo com Lurdes se chamava Josefa. Quando ele entrou ela abriu os olhos e ergueu a mão.

– Oh Minha Nossa Senhora escutou meus pedidos e trouxe um doutor que irá me curar.

– Boa Tarde, eu sou o médico que vai te examinar.

Dr Frederico então sentou na borda da cama, abriu a sua maleta e tirou um estetoscópio e escutou o coração e a respiração.

– Hum, interessante.

– Bem o coração e a respiração estão normais.

– A temperatura está um pouco alta mas não é nada grave

Neste instante entrou uma garota. Ela era jovem, tinha 19 anos, usava um vestido florido, estava descalça e tinha um ar inocente, seus cabelos loiros estavam soltos e ela movimentava com graça.

– Tarde. – Saudou a garota ao ver o doutor

– Oh minha filha esse é o Dr Frederico Maya

– Prazer – Disse o médico mexendo a cabeça de forma cortês

– Gradecida – disse a pequena jovem – Me chamo Geovana.

– Oh que belo nome. Deus é cheio de graça esse é o significado do seu belo nome.

A garota ficou vermelha de vergonha. Deu um pequeno sorriso de canto da boca.

– Sempre fui muito religiosa – Dizia a mãe – Essa pequena garota foi fruto de um milagre. Enquanto eu estava rezando na paróquia do Padre Jeová. Pedi a Deus para me dar uma menina, fazia anos que eu tentava engravidar sem sucesso.

– Deus então me deu esse presente. Ela é meu tesouro, minha vida.

– Ela é muito bonita. Parabéns.

– Obrigada, aceita uma xícara de café doutor?

– Se não for incomodo…

– Imagina. Já já fica pronto.

Frederico continuou examinando a senhora, escutava pacientemente a enferma contar os sintomas. – Doutor, isso começou faz algumas semanas, acordei a noite com febre e com dor na boca do estomago, perda de apetite e dor de cabeça e no corpo.

Passou alguns minutos a senhora trouxe uma bandeja com uma xicara de café e alguns biscoitos. Frederico agradeceu e pegou uma xicara para ele.

– Então doutor, o que ela tem?

– Olha não tenho certeza, mas tudo indica que é uma virose. Terei que acompanhar o progresso dela. – Frederico bebeu um gole do café.

– Você será bem-vindo nesta casa. Por favor faça de tudo para curar minha mãe. – Lurdes implorava.

– Não quero incomodar. Mal cabe vocês quatros, imagina mais um.

– Por favor, meu marido tá pra roça, só volta daqui cinco semanas, tem um quarto sobrando.

– Realmente não é necessário. Já tenho onde dormir.

– Eu insisto, será uma honra para nós que você passe a noite aqui.

– Ok. Se insistem.

Doutor Frederico se hospedou na casa e logo surgiu os boatos na boca do povo – Fiquei sabendo que o doutor Frederico tá morando de favores na casa da dona Lurdes. – Para de falar besteira, ele ta lá porque a filha dela ta doente. – Não era a avó? – Ouvi dizer que é grave a doença da avó, ela só tem poucos dias de vida. – Não fala besteira Juvenal.

No domingo a família ia regularmente à paróquia do Padre Jeová. Frederico teve que ir também, ele estava com um paletó cinza com camisa branca, sua barba estava bem aparada. Lurdes estava com um vestido longo cor xadrez e um coque. Geovana estava com um vestido florido e cabelos soltos, era linda. Muitos rapazes morriam de amor por ela, e ela fazia de conta que não correspondia. Ela gostava de desafiar os outros, provocar para ver qual será a reação. A mulher doente também foi. Ela ainda acreditava no milagre de da Nossa Senhora.

Após a missa voltaram para casa. No jantar enquanto comiam, Frederico não tirava os olhos da graciosa Geovana. Era realmente uma garota fantástica, usava um vestido branco leve, ela tinha aparência angelical. Seus movimentos não eram rudes. Frederico não acreditava que em meio a uma família de interior semianalfabeta houvesse um ser de luz. Talvez esse era um preconceito que o médico tinha por ter vivido por muito tempo na cidade grande. Ele aos poucos ia perdendo isso, porém, ainda era forte.

Após o jantar Dr Frederico foi para a varanda e ascendeu um cigarro, olhava para o céu estrelado e viu cinco estrelas cadentes cruzarem o céu.

– Não sabia que médicos fumavam? – Geovana estava encostada no portal de braços cruzados fingindo indignação.

– E não fumam. É um vício que estou tentando largar pequena garota.

– Não sabe que fumar faz mal? Meu avô morreu porque fumava muito.

– Sim, tem razão. Fumar causa problemas de saúde sérios.

– Mas se ocê sabe que causa problemas, por que ainda fuma?

Frederico sentou na escada e Geovana sentou do lado dele, ele pegou o cigarro e jogou fora. – Na minha época pequena criança, não sabíamos que fumar fazia tanto mal assim. Comecei a fumar depois que entrei na faculdade, meus colegas fumavam e eu passei a fumar também.

– Ah então o senhor é uma Maria vai com as outras?

Frederico cada vez mais ficava impressionado com o jeito de Geovana. Apesar de ter se irritado várias vezes com essas inquisições descabidas, afinal a vida era dele e ninguém tinha nada a ver com isso. Mesmo assim ela despertava algo nele. Ela fazia de uma forma que era impossível se irritar. Então ele apenas riu e mexeu a cabeça confirmando.

– Olhe uma estrela cadente. – Mamãe sempre diz que a estrela cadente era um anjo que caiu do céu, e para ele voltar para o céu nos concedia um pedido. – Disse Geovana apontando para o céu.

– O que pediu? – Frederico colocou as mãos para trás apoiando no chão de madeira.

– Há duas semanas atrás pedi para que alguém curasse minha avó.

– Hum. Então eu sou a realização do seu desejo?

– Se você pensa assim. – Disse Geovana dando de ombros.

– Sabe…Também fiz um pedido a uma estrela quando eu era menor.

– O que pediu?

– Não posso contar, senão não se realiza.

– Seu bobo – Geovana deu um tapa de leve nos ombros de Frederico.

– Ora sua… – Frederico se levantou e ela correu e ele foi atrás. Após correrem bastante, Geovana entrou no celeiro e ele foi atrás, ele alcançou ela, abraçaram e caíram juntos no feno.

– Agora te peguei. – Fred segurava as mãos da garota.

– Não vale, você trapaceou.

– Sou mais rápido que você só isso.

Seus olhos se encontraram e o coração de ambos bateram forte e ao mesmo tempo, a respiração dela se tornou mais profunda, seus seios mexiam enquanto ela respirava. Frederico também sentiu uma paz, se beijaram. O beijo durou meia hora, beijaram com vontade.

– Sabe o que pedi a estrela?

– O que pediu?

– Um anjo só para mim.

– Eu também pedi um anjo só para mim.

Então Amaram a noite inteira. No outro dia tentaram agir como se nada tivesse ocorrido, afinal ele era um médico e estava lá apenas para questões profissionais. Ele foi até o quarto da paciente. – Doutor, não vi o senhor subir para o quarto. – Comentou a Josefa.

– Na hora que passei a senhora já estava dormindo.

– Deve ser isso.

– Hum, vejo que temos uma melhora na febre. O que a senhora está sentido?

– Ah ainda estou um pouco fraca e essa tosse não me deixa em paz.

– É, me parece uma virose.

Frederico escutou a voz de seu anjo brincando no quintal. Seu coração palpitou e a lembrança da noite anterior veio viva em sua mente. Doce Geovana meu anjo querido, meu presente de Deus – Pensava Frederico enquanto verificava a pressão de Josefa. Frederico e Geovana continuaram se amando por semanas.

Passadas três semanas Josefa estava completamente curada e o doutor Frederico teria que voltar para a cidade grande. Ele recebeu um presente de agradecimento, um doce de leite caseiro que Lurdes fez. Ele procurou Geovana em todos os lugares mas não encontrou.

– Viu a pequena Geovana?

– Ih essa menina é danada, fica se escondendo pelas bandas da mata. Talvez esteja lá fazendo estripulias.

Frederico entrou na mata e chegou perto da cachoeira. Algo o deteve. Ele viu Geovana e um garoto se beijando ardentemente igual aconteceu com ele. O doutor não ficou nervoso nem triste, apenas seguiu o seu caminho, ele entendeu que a paixão juvenil é muito volátil.

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